Curso de C# em Guarulhos!

Mundo Corporativo - Sobre Dress codes, bermudas, saias e portugueses despidos

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Olá Senhores, Senhoras e Senhoritas!!!


    Situações extremas influenciam diretamente o que somos, como vivemos e ,
óbvio, o jeito que trabalhamos.  E o sol escaldante do verão mais quente dos últimos 70 anos da região centro-sul, além de nos fazer suar e sonhar com chuvas e frio, nos trouxe notícias como a do homem que foi ao trabalho de saia , a  empresa de TI liberando o uso de bermudas e até a do tradicional Tribunal de Justiça de São Paulo, que se rendeu ao clima ( pero no mucho) e liberou o uso de roupas mais leves nos fóruns

     E se todo esse calor me permitisse fazer uma reflexão (ou mesmo pensar!) eu diria que as temperaturas recordes estão impulsionando as empresas a repensarem seus "Dress Codes" e assumirem posições mais liberais e no meu entender, bem mais racionais.
     
     Começando pela Totvs que aproveitou essa onda para posicionar sua imagem institucional como uma empresa moderna. Parece pouco, mas eu acredito que essas pequenas atitudes são ótimas maneiras de incentivar os funcionários e prover benefícios que (ainda!) não são passíveis de impostos pelo governo. O colaborador de empresas mais liberais tende a ter orgulho da empresa e das condições que trabalha, se sente mais valorizado pelos conhecimentos que possui do que pela forma que se apresenta, e acredite, esse orgulho e satisfação segura mais gente na empresa do que aumentos de salário. E no mercado de TI, que é escasso de mão de obra qualificada, a retenção de talentos é um tema bem delicado. Quem já conseguiu trabalhar por um bom tempo em uma equipe de seniors de longa carreira, sabe o ganho enorme de conhecimento e eficiência que um time desse traz para uma companhia.   

Porque não, chefe?
     Já o caso do ilustrador, que ao ser proibido de entrar com bermuda resolve apelar para a saia da esposa, escancara a falta de lógica das nossas regras sociais. Afinal as mulheres tem a opção de usar saias e vestidos mais frescos em um ambiente de trabalho sem causar nenhum embaraço ou "falta de etiqueta". Já homens são obrigados a usar camisas sociais, calças compridas e sapatos de couro que seriam ideais para o inverno europeu porém pouco adequadas ao clima brasileiro. Só não chamo isso de injustiça porque para homens 5 camisas e 5 calças rendem 25 combinações diferentes , ou seja, um mês inteiro sem repetir o traje e ninguém dando a mínima quando você resgata a combinação 1.1 no vigésimo sexto dia. Já no caso das mulheres um vestido serve só para aquele dia e não é "socialmente" aceita a repetição nos próximos 4 meses! (agora você entende porque o espaço da sua esposa no guarda roupa é 5 vezes maior que o seu).

    A verdade é que não existe nenhuma lógica nessas regras, basicamente as roupas sociais inspiram em nosso inconsciente coletivo a idéia de credibilidade e elegância. Em um trecho do livro O Xangô de Baker Street, Jô Soares faz piada com esse fato ao colocar que Sherlock Holmes, ao se deparar com o calor dos trópicos, toma a decisão puramente lógica de mandar fazer ternos de linho branco, pois esses seriam os mais adequados ao clima,  sem se dar conta que esses ternos não seriam bem aceitos na sociedade da época (e nem na de hoje em dia, afinal se eu apareço com um terno de linho branco no meu escritório não deve levar nem cinco minutos para alguém perguntar onde está meu pandeiro).

Erro de português 
(Oswald de Andrade)

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

   Pois é amigos, esses conceitos estão estabelecidos em nossa cultura há muito tempo. Não é a toa que diretores, vendedores e advogados tem esses trajes como seu uniforme impreterível de trabalho. Afinal, dificilmente você aceitaria fechar negócios com um punk londrino ou ser representado por um advogado de bermuda surfista e camisa regata. E como, infelizmente, trabalhar significa muita mais se adaptar ao mundo corporativo do que fazer o mundo corporativo se adaptar a você, nos resta aguardar que o sol amoleça alguns corações nos RHs e a liberação da bermuda se torne uma regra geral!

Grandes abraços!

Felipe Antunes